Rio 2016: uma visão “suja”
O Blog da Janajan, brasileira que escreve diretamente de Pequim, faz um apanhado de como ficou aquele pedaço do mundo um ano depois da Olimpíada chinesa. Alguns dados:
•O estádio Ninho de Pássaro e o complexo aquático Cubo se tornaram pontos turísticos tão obrigatórios quanto a própria Cidade Proibida e a Muralha da China - para visitantes locais e estrangeiros. Em um ano, o turismo rendeu US$ 30,7 milhões para o Ninho e US$ 11,7 milhões para o Cubo, segundo cifras oficiais.
•O Wukesong, ginásio de basquete, vem dando lugar a shows, como o de Avril Lavigne, e neste outubro se prepara para receber uma partida da pré-temporada da NBA entre o Denver Nuggets e o Indiana Pacers.
•O Ninho, no dia 8 de agosto,recebeu os times de futebol Inter e Lazio para a decisão da Supercopa Italiana, com quase 70 mil espectadores e ingresso médio de pouco mais de R$ 130. Em outubro, vai sediar uma ópera do diretor Zhang Yimou, o d’O Clã das Adagas Voadoras.
•Beijing/Pequim entrou de vez na agenda mundial. (Além de agenda, eu usaria a palavra “imaginário”, que acho importantíssima.)
•O esporte chinês se fortaleceu.
A síntese da Jana Jan é: “Dá para dizer que a Olimpíada cumpriu o seu papel (em Pequim)”. Os consultores da PricewaterhouseCoopers chegaram a uma conclusão parecida com a da blogueira quando projetaram o impacto de uma Olimpíada na economia em um estudo encomendado por Londres.
China não teve corrupção? … China não tem problemas? Ô. Aos montes. Em certo aspecto, mais que nós, porque inclui ditadura no pacote. E, sendo difícil como é comparar misérias, sei não se a de lá é menos pior que a de cá.
O que eu quero dizer é que concordo com o jornalista Xico Sá quando ele diz que, se formos esperar a corrupção (épica ou não épica) acabar para fazer as coisas, não vamos fazer nada nunca. Paralisia é a alternativa de jogo nesse caso. E a única métrica viável é a relação custo–benefício.
Aqui tem muita gente que admiro escrevendo contra o #Rio2016. A essas pessoas peço licença para um pouco de pensamento político. Funciona assim: mesmo que as instalações fiquem às moscas depois e que o superfaturamento supere o dos Jogos Panamericanos (o que cabe a nós não deixar acontecer), worst-case scenario, VALE A PENA. É importante construir e fortalecer a marca Brasil mais do que nunca – num mundo globalizado onde um país não tem mais a prerrogativa de ser zé-ninguém. E o resultado não se encerra em si, porque esse é um caso típico de processo mais importante que resultado. Como o empresário Jorge Gerdau diz sempre: o processo de planejamento das empresas é quase mais importante que o resultado desse planejamento pelo aprendizado que proporciona.
(Pensamento político é algo meio sujo… Não tem a ver com bondade ou maldade, otimismo ou pessimismo, malandragem ou ingenuidade. É categoria a parte. A gente não o entende direito ainda –eu me incluo–, porque ainda está pagando o preço de ter vivido muito tempo com as janelas e portas fechadas da ditadura. Idealizamos a democracia. Que de politicamente correta não tem -quase- nada.)
Retirado do UpdateorDie!
http://updateordie.com/updates/geral/2009/10/rio-2016-uma-visao-suja/
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