Thursday, August 12, 2010

Steven Johnson aborda as potencialidades das redes sociais na CIRS 2010

A segunda palestra do dia foi proferida por Steven Johnson. O estudioso, autor de 6 best-sellers sobre intersecção entre ciências, tecnologia e experiências pessoais, falou sobre o poder das redes sociais na sociedade contemporânea.

Johnson iniciou o discurso falando das cafeterias londrinas do século XVIII. Segundo ele era neste ambiente que as pessoas discutiam, tomavam café e exercitavam a criatividade. “Estas cafeterias eram pólos intelectuais, onde surgiram as maiores inovações da época.”, disse. Segundo o estudioso, hoje é possível comparar estes espaços com as redes sociais. Porém, elas têm um poder muito maior de intervenção na sociedade do que tinham as cafeterias. Para Johnson as redes sociais surgiram como um espaço limítrofe entre o público e o privado, onde a velocidade da troca de informações é muito grande e maior ainda é a velocidade que elas chegam ao destinatário.

O twitter é uma das principais plataformas comunicativas da atualidade. Steven apontou como o principal defeito desta rede, em sua fase de implementação, que as suas políticas organizativas faziam com que o indivíduo “passasse de um grupo de conhecidos para uma quantidade enorme de desconhecidos”, disse. Este processo fez uma distorção do mapa da rede social e não agradou os usuários. “Tinham coisas que as pessoas não queriam dividir com as outras, mas o twitter não dava esta opção”, afirmou. As críticas instigaram a mudança das regras e hoje as pessoas tem usado esta plataforma de maneira ainda mais criativa.

De acordo com Johnson sobram exemplos de pessoas que conseguiram inovar na utilização das redes sociais. Apesar de elas terem sido criadas, inicialmente, para dividir informações irrelevantes, como o que o seu amigo comeu no café da manhã, hoje isto mudou. Estas inovações foram possíveis graças à interface de programação aplicativa (API). Em outras palavras, uma linguagem comum de programação que permite a criação de aplicativos para aumentar as potencialidades da plataforma.

A última invenção foi o twitter map (twittermap.tv) que mostra dados geográficos de onde a pessoa está enviando a mensagem. Ver o funcionamento da plataforma é emocionante, pois é possível ter certeza que o mundo está se comunicando o tempo todo e estabelecendo ligações entre pessoas de todos os continentes.

Outra rede social inovadora apresentada por Johnson foi a foursquare (foursquare.com). Trata-se de uma combinação de rede social com game. Funciona da seguinte maneira: uma pessoa chega em um determinado lugar da cidade ou uma cafeteria e envia uma mensagem para os amigos (via sms) para avisar onde está. O programa tem um sistema de mapeamento via satélite onde é possível contabilizar quantas vezes aquele indivíduo esteve em determinado lugar. Quem for mais vezes ganha medalhas, se torna o “prefeito” e em alguns casos pode até ganhar algo promocional.

De acordo com Johnson o foursquare é um sistema que beneficia as pessoas e suas relações pessoais, os empresários que tem a chance de estabelecer contato rápido e fácil com seus clientes e, por fim, fazem com que os indivíduos tenham um incentivo maior a viver a cidade e não em um mundinho apenas virtual e isolado. Steven deixou claro que nada disso seria possível se os códigos não fossem abertos.

Steven Johnson contou um episódio que ilustra muito bem o funcionamento destas mídias sociais. Imagine a situação: uma conferência importante, uma jornalista atrevida e um homem famoso. No palco a jornalista começou a flertar com o homem se exibindo e fazendo perguntas indiscretas. A platéia ficou enfurecida, mas ninguém esboçou qualquer reação exterior até o fim da convenção. No entanto, internamente estavam explodindo de tantas emoções.

Os participantes da conferência, insatisfeitos com a atuação da jornalista abriram seus laptops e se conectaram ao twitter. “Foi por meio de uma conversa silenciosa em tempo real que os participantes começaram a criticar a jornalista e falar sobre toda aquela situação constrangedora”, disse. Segundo o estudioso eventos como este são impressionantes e eram improváveis há alguns anos atrás.

Steven falou que o twitter é uma plataforma que no início servia para informar sobre o que o amigo comeu no café da manhã, mas hoje serve como fonte de rica de informações e o mais interessante é que os usuários escolhem de onde elas vem. “Eu leio twitts de grandes jornais, mas tenho prestado mais atenção às indicações dos amigos sobre leituras”, disse o estudioso. Johnson usa também o twitter quando surge alguma dúvida sobre algo corriqueiro. Ele solta a pergunta no twitter e em menos de 5 minutos voltam inúmeras respostas.

Segundo Johnson, o twitter hoje ganhou proporções muito mais significativas. Um exemplo foi a arrecadação de doações para os sobreviventes do terremoto do Haiti através de SMS. Bastava um comando no celular para que 10 dólares fossem descontados da conta telefônica do indivíduo. A mensagem de solidariedade foi disseminada na plataforma e em pouco tempo o twitter arrecadou 30 milhões de dólares para aquela população.

Para Johnson é interessante pensar na reunião de pessoas em uma determinada mídia social agindo em prol de uma ação grandiosa. No entanto, ele instiga a utilização destas redes para resolver também problemas locais, pequenas emergências que estão na esquina de casa, como a necessidade de cobrir buracos nas ruas, reformar um parquinho, montar uma biblioteca pública.

Na conferência, Johnson comentou a respeito de outra rede social denominada kickstart (kickstart.org) onde as pessoas podem fazer pequenos patrocínios para que um grupo grave o primeiro disco, uma artista plástica possa terminar uma obra, uma comunidade carente possa montar um centro de aprendizagem. As pessoas entram no site, preenchem um formulário dizendo que vão patrocinar determinada atividade, porém o dinheiro só sai da conta destes indivíduos quando se completam 5 mil dólares de “investimento”.

Esta quantidade de dinheiro é um indicativo de que tal obra pode ser viável. É só então que, de fato, as pessoas fazem a doação. “O kick é uma forma de financiar pequenas causas e esta é a mais bonita manifestação da atitude cívica“, disse. Johnson afirmou que começa a pipocar a preocupação das redes sociais em resolver também os programas micro. Esta atitude, na opinião dele pode tornar as cidades cada vez mais sustentáveis. É a comunidade local se reunindo a partir de uma rede social virtual em prol dos seus companheiros.

Retirado do site:

http://vogg.com.br/steven-johnson-aborda-as-potencialidades-das-redes-sociais-na-cirs-2010

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